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Sorte de
principiante
* Jonas Silva é presidente da ARPIA (Associação Riograndense
de Pesca com Iscas Artificiais)
Reportagem
publicada originalmente na revista Pesca & Cia dez2007 e aqui sob autorização da
mesma.
Acertar a isca para o tucunaré não é fácil, mas
quando se encontra aquele modelo pegador é uma fisgada atrás da outra
Como já é de costume, lá para o final de outubro e início de dezembro, um grupo de amigos
apaixonados pela pesca esportiva se reúne para buscar agressivos tucunarés e algum alívio do estresse cotidiano dos grandes centros.
Desta vez, mais sete pescadores saíram comigo de Porto Alegre (RS) e seguiram a caminho de Barcelos, no Amazonas.
Até chegar em Barcelos nenhum de nós sabia qual seria o nosso destino, pois é no município amazonense que tomaríamos
conhecimento de informações como nível da água e condições de navegabilidade do barco no local. A existência de
muitos bancos de areia ajuda na formação de praias no leito do rio, o que pode fazer com que nem tudo saia conforme o planejado.
Decidimos então
o rumo a ser tomado: subiremos o rio Cuiuni até chegar
a um local chamado pelos moradores da região de
“repartimento” e desse local, sempre buscando um grande exemplar, entraremos no
rio Alegria. A partir daí nos
esquecemos do mundo. Telefone passa a ser artigo de luxo e
computador serve apenas para armazenar as fotos no final do dia.
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O campeão da
pescaria pesou mais de 9 kg de pura força e resistência |
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Nossa ferramenta de trabalho passa a ser a vara, a carretilha e as iscas artificiais. A escolha das linhas dos líderes e dos snaps fica sempre a critério de cada pescador.
Se o equipamento utilizado não estiver corretamente preparado para a pescaria do tucunaré
certamente o vencedor do combate não será o pescador. O equilíbrio de libragem entre vara,
linha, leader, snap e isca com garatéias adequadas para suportar a tensão no momento do ataque irá garantir uma bela foto.
Nessa época do ano, a tendência de formação dos lagos
é ter menor volume de água e os rios correm na caixa.
Os tucunarés saem da mata em direção às estruturas de
paus e pedras buscando comida, peixes pequenos que se
tornam uma presa fácil para o ágil e voraz predador. O
tucunaré é um peixe de respeito que possui uma força
incomum e é capaz de levar sua presa com muita facilidade
em fração de segundos. Como não é possível prever se o nível de água dos rios
está baixo ou se eles sequer permanecem
cheios, além de técnica, é necessário um bocado de sorte.
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O
distúrbio provocado pela hélice desta artificial acima despertou a ira
territorialista do grande tucuna |
Alegria de um, tristeza de outro.
Um fato curioso aconteceu com meu parceiro Wilson Pippi, acostumado a pescar
dourados e surubins na parte argentina do rio Paraná. Como nessa modalidade não há necessidade de arremessos e os equipamentos
usados são mais pesados, Pippi encontrava alguma dificuldade em trabalhar a isca com ponta de vara, movimento que dá
“vida” e provoca o ataque do predador. Além disso, essa era apenas a segunda temporada dele na Amazônia.
Pippi escolheu então uma isca de meia-água. Como rio alto, o trabalho com esse tipo de isca se torna mais produtivo, pois o
peixe gasta menos energia para atacá-la. Ele então começou a trocar de iscas, optando, no
final, por um outro modelo meia-água, com o qual, no primeiro dia de pescaria, engatou um
Açu de 6,5 quilos. Daí para frente,
não trocou mais de isca, tendo, inclusive, duas varas montadas com duas meias-água, mas em cores diferentes. Com isso, a cada “macaco”
(enrosco em galhos) Pippi poderia trocar imediatamente de vara. O
papel do nosso guia era desenroscar as iscas e desmanchar as constantes cabeleiras.
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produtividade
garantida:a
prima da
Zagaia by
Hi-Lures
mostrou a
que veio |
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Enquanto me preocupava em fazer o arremesso preciso no tronco
seco de uma árvore inundada do outro lado, local preferido pelos grandes
para fazer seus ninhos, e trabalhar a isca dentro dos padrões de precisão,
o contemplado sempre era o Pippi, meu parceiro. Eu me matando puxando
“hélices” e ele com suas iscas de meia-água matando a pau.
Vendo aquilo, resolvi trocar de isca. Também passei a utilizar uma meia-água, mas com
características diferentes daquela que Pippi estava usando. Não adiantou.
Continuei vendo meu parceiro pegar peixes até mesmo em um lançamento no meio do lago,
onde havia um filhoteiro (termo regional dado aos tucunarés que estão cuidando de
seus filhotes e se tornam extremamente agressivos) atacando tudo o que ameaçasse
seus alevinos.
Como recompensa por esse arremesso, Pippi pegou um tucunaré de 9,740 kg. Foi então que me rendi ao diferencial da isca que ele estava usando, uma Prima amarela com um ponto vermelho no
bico inferior, da Zagaia by Hy-Lures. Um dia antes, ele já havia perdido outro peixe em uma galhada e, não satisfeito, foi à farra no dia seguinte. Acabou se dando bem
graças à Prima, que tem um conceito muito bom entre os piloteiros: “quando não se está pegando nada, é só usar uma Prima que certamente o resultado vem”.
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Presença certa
quando as águas estão baixas,
o aruanã, acima, surpreendeu ao
aparecer no começo da temporada. |
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Nesta reportagem vamos abordar o preconceito dos pescadores brasileiros em relação às iscas nacionais.
Fomos em busca de Cláudio Spedo, proprietário da empresa "C S Ind. e Com. De Iscas Artificiais" que fabrica as iscas "Bait Pullers".
Revista PESCADOR: - Cláudio, qual é seu desabafo?
Cláudio: - Sou pescador e uso iscas artificiais desde o tempo em que só eram conhecidas as colheres e a zara, mas era raro encontrá-las e quando encontrava o preço era muito alto. Foi quando comecei a fabricar iscas para o meu próprio uso.
Lembro-me, até hoje, quando peguei o meu primeiro robalinho com minha isca, só não pulei de alegria porque estava em cima do barco. Que dia foi aquele! Que pescaria!
Ao comentar, com meus amigos, sobre o sucesso de minha isca , todos eles manifestavam o desejo de ter uma e aprender a usa-la.
Ai veio a idéia de fabricá-las industrialmente. Se os amigos se interessam, por que não os demais amigos pescadores que ainda não conheço?
Doce ilusão de micro-empresário brasileiro! Para começar -o nome- pensei em um bem brasileiro, como por exemplo: "Biguá", aquele pescador nato.
Batida do Black Bass na isca de superfície, algo emocionante!
Revista PESCADOR: - Mas o nome da sua isca não é "Bait Pullers"?
Cláudio: - Sim, veja o que aconteceu com o meu "Biguá". Conversando com amigo que é lojista e que se interessou pela idéia, perguntando-me se já tinha um nome para isca, respondi animado, com outra interrogação: - " o que você acha de Biguá"? Estava certo que acharia original. Ao ouvir, ele disse:
"Nosso peixe não tem preconceito contra nosso produto"
- " Não faça isso! Se não tiver um nome americanizado não vai pegar, não vai vender, as pessoas não conseguem dar valor às nossas coisas". Resolvi seguir sua sugestão. Não foi fácil encontrar um bom nome americano já que, "Biguá", era o nome de coração. Pesquisando muito, encontrei o nome Bait (isca) Pullers ( puxadora) e como queria que o nome fosse sinônimo de seu efeito, achei que esse seria o ideal. Foi esse que ficou. Após algum tempo, meu vendedor, comentando ao telefone com um cliente, que começaria a representar um fabricante de iscas nacionais, ao falar o nome da nova isca, ouviu "Que nome estranho, essa isca vai ser feia, não deve funcionar - com esse nome!
" Estranhei um bocado. Veio-me uma pergunta à cabeça: - Se fosse "Biguá", pegaria? Essa duvida vou ter que carregar comigo, já que o nome de minha isca está registrado e só saiu em inglês porque alguém sugeriu. Veja que ironia. Se fosse "Biguá", por ser um nome "tupiniquin", não pegaria; "Bait Pullers", ainda que americano, é estranho, e as importadas? Será que seus nomes são mais bonitos? Será que, devido ao nome que tem, são mais eficientes? Para não deixar dúvidas, encaminhei, através de meu vendedor, uma isca de cada modelo ao seu cliente e pedi a ele que antes de decidir se minha isca era ineficiente devido ao nome, testasse e, assim, pudesse dar seu parecer com justiça. Hoje ele é um dos meus melhores clientes.
Revista PESCADOR: - Então, a queixa de seus clientes está sempre vinculada ao nome do produto?
Cláudio: - Não, se fosse só isso, diria até que não tenho problemas. Veja o que ocorreu na primeira "Feipesca" que participei em 1994. Por não ter estrutura, nem condições, participei com uma ponta no "stand" de um lojista. Estava um vendedor demonstrando o trabalho da isca na piscina e eu num pequeno balcão apresentando o novo produto. Grande parte dos visitantes, ao ver o funcionamento da isca na piscina demonstrava interesse, mas após ver o produto, vinha sempre a pergunta: - "É importada?" - depois da resposta saiam meio decepcionados.
Revista PESCADOR: - Existe alguma diferença entre uma isca importada e uma nacional?
Cláudio: - Existem iscas importadas excelentes. Eu usei e ainda uso muito delas. A questão poderia ser: - Produto nacional não dá Ibope entre nossos peixes? E a minha resposta seria: - Nosso peixe não tem preconceito contra nosso produto.
Claudio Spedo testando uma isca Bait Pullers, na pesca do Black Bass.
Uso iscas de minha fabricação e, como fabricante, tenho que testar outras marcas, nacionais e importadas, até para avaliar meu produto e, tenho tido muito êxito com muitas delas. Um dos produtos a favor de minha isca em relação as importadas é a garatéia. Todas as iscas importadas necessitam que sejam trocadas as garatéias pois nossos peixes são mais brutos. Na "Bait Pullers" sempre uso garatéias 3 ou 4 vezes reforçadas para eliminar esse problema.
É importante dizer que a CS não é fabricante de garatéia. Este é um item que adquirimos de terceiros e nossa busca, em cada item que compõe nossa isca, está sempre vinculada à qualidade. Quem nunca perdeu um tucunaré devido a uma garatéia que abriu? A CS dá, ainda, mais uma garantia - para qualquer defeito "comprovado" de fabricação, desde que o
O "Bass" normalmente está da meia água para baixo e leva um certo tempo até que suba para ver aquele brilho e as vibrações que a isca produz.
produto seja devolvido e analisado por nós, é garantida a troca sem ônus para o pescador ou lojista. Acreditamos que não exista laboratório mais perfeito que nossos pescadores em todo o Brasil, usando o nosso produto, indicando-nos os pontos fracos e agradeceríamos se nos apresentassem, também, os pontos fortes do produto.
Revista PESCADOR: - Como você avalia e qualifica seu produto?
Cláudio: - Cláudio: - Desde que iniciei a fabricação das iscas " Bait Pullers" tive como objetivo, criar algo que atendesse às necessidades do pescador brasileiro e, é claro, competisse em qualidade e eficiência com as importadas. Antes de qualquer coisa, sou pescador e exigente. Um modelo inicial foi baseado em nosso velho conhecido - O lambari. Para chegar ao ponto de colocar essa isca no mercado, desenhei e produzi uma série delas em madeira e testei em inúmeros pontos.
Após a conclusão dos testes preliminares, iniciei a produção em grande escala utilizando o material que se mostrou mais adequado e mais resistente. Solicitei a muitos amigos pescadores que também tentassem minha isca e utilizei muitas de suas sugestões até chegar ao modelo atual. Uma prova de fogo que alguém pode fazer para avaliar uma isca artificial quanto ao seu visual estético ou seu trabalho ou, usando a palavra que nós pescadores comumente usamos para avaliar, se é " pegadora" é pescar um "Black Bass". Este é, na minha opinião, um dos peixes mais ariscos e manhosos.
Revista PESCADOR: - Cláudio, você poderia dar uma dica para os nossos leitores quanto à pescaria do Bass?
Cláudio: - Aí vai uma dica. Nas experiências que tive com "Black Bass" notei que seu habito se renova a cada hora - Essa é a minha impressão - na represa de Joanópolis, local onde tenho um sítio que é, também, meu campo de provas. A profundidade da represa é grande. Descobri uma maneira peculiar de pescá-lo que está sendo mais produtiva. Lá percebi que o melhor pescar de "leque". Escolho um ponto, de preferência um bico, vou dando arremessos em forma de leque da direita para a esquerda, mais ou menos meio metro de distância um do outro, e volto fazendo o mesmo processo, repetindo duas ou três vezes, sem sair do lugar.
Obtendo ou não resultado, ando mais uns cinco metros a repito a operação, assim, além de estar fazendo o que mais gosto que é pescar, estou me exercitando, curtindo o visual de nossa represa que é muito bonito e aumentando o campo de atração. O "Bass", normalmente, está da meia água para baixo e leva um certo tempo até que suba para ver aquele brilho e as vibrações que as isca produz.
Embarcado, com motor elétrico, nesse tempo, já teria passado do ponto: de barranco e usando o método "leque", a isca atingi um raio de ação mais determinado, as vantagens são maiores. Minha experiência de pescador me diz que o peixe é curioso e a agitação que o método produz tem dado bons resultados. Atualmente estou testando a pescaria do "bass" à noite pois, um amigo pescador disse-me que esta pescaria, com iscas artificiais, à noite, é boa. Pouco tempo atrás fiz uma experiência e obtive sucesso - peguei o meu primeiro "Bass" na boca da noite e, hoje, estou tentando me aperfeiçoar nesse tipo de pescaria.
Revista PESCADOR: - Você compraria sua isca?
Cláudio: - Sem dúvida! Por tudo o que já falei nesta entrevista, pela coragem que tive de me aventurar nessa longa caminhada de fabricar um produto brasileiro para concorrer com os importados de qualidade e eficiência, pela vontade de obter êxito como micro-empresário brasileiro, pela crença que tenho de que posso produzir iscas artificiais que possuem o lojista, que pesquem os peixes de nosso rios e represas, por todos esse motivos e, principalmente, porque conheço seus resultados, com certeza compraria.
Aliás, faço aqui um Desafio a vocês, convido-os a fazer uma pescaria comigo em Cananéia - SP, poderemos usar as iscas "Bait Pullers", alguns modelos das importadas e, também, das nacionais, assim, vocês mesmos poderão avaliar o meu produto. Como bons pescadores que sei que somos, com certeza pescaremos muitos peixes.
Revista PESCADOR: - gostamos da idéia! Nesta pescaria você poderá nos dar algumas dicas de como usar a "Bait Pullers" para a pesca do robalo e esta poderá ser nossa próxima matéria. Até lá.
Por Cláudio Spedo
Em meu caminho semanal, quando vou visitar um de meus fornecedores em Santo Amaro, bairro de São Paulo, passo por
Diadema beirando a represa Billings, perto do bairro Pedreira. O que sempre noto, é o descaso de nossas autoridades
com a forma que tratam a saúde do nosso povo, pois a região do ABCD, também em São Paulo, se abastece com aquela
água totalmente poluída. Fico me perguntando:- "Onde está a legislação que protege os mananciais? E o tal congresso
mundial que tivemos no Rio de Janeiro sobre Ecologia? Que resultado tivemos daquilo?"
Esgotos a céu aberto, jogados diretamente em nossa represe sem qualquer controle, sem qualquer tratamento,
transformando-a em uma grade fossa, e, para ficar ainda mais preocupado, leio, nesta semana, em uma revista,
que uma pesquisa revela que, o que poderá faltar no mundo na era 2000 será a água potável e não o petróleo.
A prova de que esta pesquisa não é enganosa está no fato de que a cidade de São Paulo, que é rodeada de rios
e represas, está, cada vez mais, tendo que ir buscar água potável mais longe, esquecendo-se de nossa velha
represa que está em nosso quintal.
Isso muito me entristece, pois foi lá que aprendi com meu pai a arte e o gosto de pescar - tempos que me
trazem belas lembranças - naquela época não se pescavam as tilápias de hoje, mas sim, aqueles carás - os
testudos - e as piavas do rio pequeno, sem contar os bagres que pegávamos com linhadas que, quando os
sininhos tocavam, faziam nosso coração subir até a garganta, quanta adrenalina!
Sendo um empresário, fabricante de produtos para pesca esportiva, me questiono:
- Como posso contribuir para ajudar a solucionar esse problema? As eleições estão por perto, posso contribuir
escolhendo melhor, mas garantia não existe, além do que, só isso não basta.
Mas, voltando à cena da qual estava falando no início deste artigo, ao passar em frente à represa, o que me
chamou muito a atenção foi a grande quantidade de pessoas que estavam batendo tarrafas naquele bico. Parei
para observar e fiquei abismado ao ver a quantidade de peixes que estavam pulando, era um absurdo!
Fui até lá na intenção de saber por que eles estavam pulando - seria por falta de oxigênio ou porque
estavam na época da desova? Ou ainda mais, será que era por causa do esgoto que desaguava trazendo todos
aqueles dejetos para o bico da represa e com isso os peixes estavam se alimentando?
Quando estava chegando mais perto da água, fiquei ainda mais perplexo ao ver os moradores das redondezas
pescando naquela água. Passei a observar as tarrafadas que eles estavam dando para saber que peixes traziam.
Eram tilápias e cabojas (um tipo de peixe que se parece com o cascudo), mas não era só isso que vinha; junto
com os peixes a tarrafa trazia, também, garrafas e sacos plásticos, chinelos velhos, latas de cerveja, muita
sujeira e além de todas estas coisas veio também um preservativo masculino; o pescador se limitou a sacudir
o lixo na beira da represa.
Foi quando voltei ao carro para pegar a máquina fotográfica com o objetivo de poder mostrar o que estava
acontecendo. Comecei a tirar algumas fotos daquela pescaria - se é que pode ser chamada assim - Foi aí
que falou mais alto o meu lado de pescador esportivo, pensei em dizer para aqueles pescadores que era
proibido pescar de tarrafa, principalmente por ser, aquela, a época de desova, sem considerar o fato de
estarem pescando em águas tão poluídas. Foi quando olhei para o lado e vi que o pessoal já tinha improvisado
uma cozinha e, ali mesmo, estavam limpando, fritando e comendo os peixes.
Foi quando um deles me perguntou, com um tom irônico, se eu estava tirando fotos para o programa "Aqui e Agora".
Disse a ele que escrevia para uma Revista de Pesca e ele, todo contente, pediu que tirasse uma foto com a
tarrafa cheia de peixes.
Conversando com esse meu novo amigo, perguntei-lhe o que ia fazer com tantos peixes e ele disse que iria
levar para casa, para a família e, se sobrasse algum, iria vender para os amigos e vizinhos. Fiquei sem
saber o que dizer, pois minha intenção de relatar o acontecido era mostrar o problema da poluição e da
depredação. Ainda assim disse a ele que aqueles peixes estavam todos contaminados, que a água estava
totalmente poluída. E ele, com cara de contente, me disse:
- Graças à poluição tio, hoje temos rango (comida)... Saí mais chateado do que quando cheguei no bico da
represa, pois que direito tinha eu de tentar explicar para aquele pescador o significado da palavra pescaria
esportiva? Pensando novamente em nossos políticos, se não estiverem preocupados com as condições de nossa
represa em si, com a natureza e sua beleza, espero que, pelo menos, estejam preocupados com a população, e
em função desta, que por sinal é que os elege, nos ajudem a despoluir nossos rios e represas para que nosso
povo tenha, ao menos, água e peixes sadios para saciar a sede e a fome.
Este artigo foi editado na Revista Pescador de 1996, mas continua tão atual que resolvi apresenta-lo em
nosso site para nossos leitores, navegadores, parceiros.
A arte de vender
por Áurea Grigoletti
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O QUE É PRECISO SABER PARA
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Você tem que saber o que está
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Você tem que conhecer os
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• |
É
preciso saber qual é o
diferencial entre você e seus
concorrentes. É o que você faz
de diferente que levará ou não o
cliente a preferir o seu produto
ou serviço - Faça a diferença! |
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• |
É
preciso conhecer as expectativas
de seu cliente - o que ele
deseja, o que ele espera do
produto ou do serviço, o que o
fará de fato feliz, que
resultado final ele espera
daquilo que está buscando. |
É O CLIENTE QUEM COMPRA OU O
VENDEDOR QUEM VENDE?
O
cliente compra aquilo que foi
gerado por uma necessidade
básica. P.ex.: o cliente compra
arroz, feijão, pão, leite,
roupas, calçados - produtos que
supram suas necessidades
básicas.
O
Vendedor vende aquilo que lhe dá
satisfação, conforto,
felicidade, status, prazer.
O
vendedor vende o melhor arroz -
aquele que vem embalado em
porções personalizadas que
atende tanto ao perfil do
solteiro quanto ao perfil do
família. O vendedor vende o
calçado especial, revestido
internamente com tecido em puro
algodão que mantém os pés sempre
confortáveis e secos.
O
vendedor vende o detalhe, a
diferença, o melhor, o mais
durável, o que dá melhores
resultados. |
A VOZ É NOSSO SEGUNDO ROSTO
(Gerard Bauer)
Volume
- Deve ser adequado para não
causar desconforto ao ouvinte.
Vocabulário
- Compreensível. Evite siglas,
abreviações, palavras
desconhecidas, termos técnicos.
Dicção
- Articular bem as palavras e
obedecer as pausas (ponto e
virgulas) é também adequado.
Locução
- Ajuste-a ao cliente - Fale
mais rápido se perceber que ele
é rápido ou que está com pressa,
fale mais lentamente se notar
que é detalhista e que gosta de
conversar.
Entonação
- Aqui você fala mais alto ou
mais baixo, dá mais ênfase
àquilo que quer reforçar e menos
àquilo que não é tão importante.
Perceba se o cliente mantém a
atenção no que está falando. Se
não, prova que aquele detalhe
não lhe interessa.
Tom
- É o colorido da voz. Transmite
o estado de espírito - tristeza,
alegria, entusiasmo, interesse,
otimismo. |
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“ V o c a b u l á r i o
” |
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O que
fazer . . .
|
O que
evitar . . .
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Palavras
Positivas
(eficiente,
benefícios,
lucro,
facilidade,
garantia) |
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Expressões
Educadas
(por favor, bom
dia, por
gentileza, boa
tarde, obrigado) |
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Frases no
Presente
(será enviado, é
necessário,
estamos
providenciando) |
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Expressões
que Transmitem
Segurança
(fique tranqüilo,
eu garanto, eu
posso afirmar,
tenho certeza) |
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Expressões
Empáticas
(posso imaginar
como se sente,
se eu estivesse
em seu lugar, eu
entendo, eu
compreendo) |
|
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Palavras
Negativas
(problema,
atraso,
prejuízo,
dificuldade,
impossível) |
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Expressões
Inseguras ou
Condicionais
(eu acho,
talvez, pouco
provável,
poderia, queria,
faria) |
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Vícios de
Linguagem ou
Gírias (tá,
né, hum hum,
legal, peraí,
sem chance) |
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Diminutivos
(minutinho,
notinha,
boletinho,
caixinha,
pacotinho,
precinho,
ligadinha) |
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Frases na
Negativa
(não será
possível, não
podemos, não
temos, nunca
fizemos) |
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Tratamento
Íntimo Exagerado
(oi, querido,
paixão, fofo, um
beijo) |
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OUVIR COM EMPATIA
Preste
atenção em tudo o que o cliente
diz - não perca uma só palavra.
Com freqüência é nas entrelinhas
que ele deixa escapar a
informação mais importante para
o negócio.
Concentre-se e
procure não desviar a sua
atenção em função de ruídos ou
movimentos ao redor.
Evite interromper o
cliente enquanto ele fala.
Demonstre
interesse pela mensagem do
cliente. Use recursos como: sim,
entendo, perfeito, correto.
Procure
ouvir as palavras-chaves e
compreender o significado da
mensagem.
Não
julgue. Não tire conclusões
precipitadas.
Não
existe uma Segunda chance para
causar uma boa primeira
impressão! |
QUEM É O SEU PIOR CLIENTE?
É O CLIENTE QUE COMPROU,
FICOU INSATISFEITO E NÃO
RECLAMOU!!!
QUEM É O SEU MELHOR CLIENTE?
É O CLIENTE QUE JÁ COMPROU, NÃO
IMPORTA A FREQÜÊNCIA OU O VALOR
DO PEDIDO!!!
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